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Friday, July 28, 2017

Bruxa má e bruxa boa: a magia do compromisso



Este fim de semana consegui finalmente acabar de ver o filme "O Grande e Poderoso Oz". É que sempre que passava na televisão, acontecia alguma coisa para me interromper. O filme já tem uns anos, mas vale a pena quanto mais não seja pelo ambiente da Belle Époque, pela maquilhagem/  figurino das três feiticeiras...e pela Rachel Weisz, que é das actrizes de que mais gosto e está lindíssima no papel da Bruxa Malvada do Leste, Evanora. Aquela esmeralda podia morar na minha caixa de jóias que eu não me ralava nada.



Mas o que me fez pensar foi a dinâmica entre o "Feiticeiro" Oz e as mulheres...

E como dizem que há uma Bruxa (boa ou má) em cada mulher, acho que todas podemos tirar ilações desta estória.

Vou resumir para quem não viu ou não reparou: ao aterrar na terra mágica, o feiticeiro conhece a linda Teodora (Mila Kunis) que é a futura Bruxa Má do Oeste (antes de se tornar verde, feia e malvada- já lá vamos).


É ela que lhe diz que ele encaixa na profecia lá do burgo  e que é o salvador esperado pelo povo.
A caminho do palácio conversam, parecem entender-se muito bem e a rapariga, que mesmo antes de ser uma bruxa má já é uma serigaita de todo o tamanho, não vai de modas: diz-lhe logo que são feitos um para o outro e quase o obriga a prometer que quando ele for rei, fará dela a sua rainha. O moço, que ainda está meio baralhado, sem perceber *literalmente* onde veio cair, fica lisonjeado e responde-lhe qualquer coisa do tipo "ok...se tu o dizes...".



Estão a ver a analogia? Ela nem esperou para o conhecer melhor ou para deixar que ele a conheça. Não sabe se interessam um ao outro, se são minimamente compatíveis, mas parte do princípio que quer um relacionamento com ele e força a barra. Toma toda a iniciativa sem que haja qualquer esforço ou mesmo grande interesse da parte dele. Dá tudo sem receber nada  em troca, sem que qualquer compromisso esteja fixado.


Pior ainda, investe emocionalmente não no homem em si, com as suas qualidades e defeitos (que de qualquer modo desconhece de todo, pois não houve tempo para nada disso) mas na ideia que tem do homem ideal. Não quer aquele homem, quer um homem a seu lado; e qualquer um serve desde que superficialmente encaixe nas suas preferências, física e socialmente falando. Não está apaixonada por aquele homem, mas pela ideia de romance, pela sensação de estar apaixonada e pela afirmação social de não estar sozinha. Põe-se a gostar dele (se é que isso é gostar) ou a achar que gosta, sem saber se ele lhe corresponde; e acha que lá por ela ter sentimentos por ele é suposto ele pagar-lhe na mesma moeda.

Enfim, não tem grande dignidade nem amor próprio.




No mundo real, quantas raparigas "fáceis", apressadinhas e carentes procedem assim?

Estas são as mulheres que ouvem "não quero uma relação neste momento, só me quero divertir" (traduzido para bom português: não gosto de ti, mas tudo o que vem à rede é peixe) e em vez de aceitarem o aviso, em vez de dizerem "alto lá! Quem pensa ele que é? Se não sou digna de ser namorada dele, também não sirvo para outras coisas... era o que me faltava!" avançam pensando que farão o rapaz mudar de ideias. E depois ficam a chorar porque ele desaparece por magia no dia seguinte, ou porque só telefona quando lhe dá jeito mas nunca assume um relacionamento.



 É que um homem sabe nos primeiros 3 minutos se tem perante si uma mulher para uma noite só, para namoriscar ou para a vida inteira. E todos eles são muito liberais...com as mulheres dos outros! Dificilmente querem algo sério com uma tonta que se presta a esses papelões. Na sua cabeça, pensam: e se tivesse uma filha com esta mulher? Credo, ela ia ensiná-la que não tem mal  ter casos de uma noite só ou ser a amiga colorida de alguém...Deus me livre!

Voltemos ao conto: dali a nada o "Feiticeiro" parte na sua missão. Nesta aventura conhece a enigmática Glinda, a Bruxa Boa do Sul, e fica encantado.


 E quando Teodora se apercebe de que foi trocada (salvo seja, pois Oz nunca lhe dera realmente troco...) revela a sua alma egoísta, cheia de sense of entitlement, e torna-se na Bruxa Má do Oeste com pele verde, narigão e tudo.



Esta é outra metáfora que se aplica a muitas mulheres:  vão com muita sede ao pote, atiram-se de cabeça achando-se tão maravilhosas que o príncipe encantado lhes vai cair aos pés por muito mal que se portem...e quando corre mal (o que acontece quase sempre) ficam revoltadas contra os homens e com a sua sorte.



 A longo prazo, se  o "filme" se repete muitas vezes (o que é frequente, uma vez que este tipo de pessoas tende a não aprender com os erros e deitar as culpas aos outros) tornam-se ressabiadas e desagradáveis. Muitas juntam a isso hábitos pouco saudáveis, como andar sempre "na night" a ver se a sua sina muda, o que não ajuda nada à beleza....e sempre zangadas, sempre ansiosas, com a auto estima de rastos, ei-las que só lhes falta ficarem verdes no sentido literal do termo.



 Quanto a Glinda...essa  não parte de qualquer princípio; não  idealiza Oz
 nem espera vir a ter uma relação com ele. Conhecem-se muito naturalmente, como amigos e aliados, conversam como dois seres humanos pensantes e normais (salvo seja) a ligação flui espontaneamente
e ela analisa muito bem o carácter dele antes de se afeiçoar.



 Aliás, Glinda diz-lhe mesmo que vê muito bem o que ele é: um malandro com coração de ouro. É ele que fica caidinho, que se declara e que avança para um compromisso sério. E como é óbvio, por essa altura já sabem o suficiente um do outro para haver um relacionamento com bases sólidas. O mágico casalinho livra-se das bruxas e fica com o reino, os tesouros e o resto, vivendo feliz para sempre. O mesmo acontece na realidade: o amor, quando é verdadeiro, não dá trabalho para acontecer (na vida a dois já é preciso trabalho mútuo, mas isso vem mais tarde). Não são precisos joguinhos, nem manipulações, nem ansiedades.


Podemos ver Glinda como o arquétipo da "rapariga para casar": ela é ponderada, sensata, meiga, serena, cheia de dignidade. É uma versão mágica da Lizzie de Jane Austen.
 Não se deixa inflamar por ideais românticos ; observa as pessoas antes de se  envolver e quando finalmente o faz, é aceitando o homem em causa com as suas virtudes, as suas falhas, o seu passado e as ferramentas que ele tem para construir um futuro. Sem romancear o seu pretendente, ela vê o potencial dele e influencia-o para o bem, para se tornar no homem que ele está destinado a ser.

É também uma mulher com a sua própria vida (no caso, um povo que precisa dela) e que embora deixe espaço para um homem entrar nela, não está desesperadamente à procura dele, logo não cria expectativas com o primeiro que aparece caído do céu. Ela preserva-se, em todos os sentidos,
 e deixa-se conquistar aos poucos. E "eles" adoram um desafio. Precisam dele.




Teodora é a rapariga com quem um homem se diverte...e boas noites! Ainda que consiga um relacionamento mais estável (quase sempre, com recurso a muitas manhas para "dar a volta" ao alvo) isso costuma ser de pouca dura, porque quem é imatura no início é-o sempre.
E nenhuma relação se alimenta de fantasias nem pode florescer se não partir de uma base de respeito.
As Teodoras da vida não só são um ímane para maus rapazes que as
enganam (ou rapazes em fase de maluqueira que nem se dão ao trabalho de as enganar) como tornam impossível que os bons rapazes as levem a sério.

Glinda é a rapariga que um cavalheiro tem orgulho em apresentar
 à família e com quem pode construir o seu próprio lar: com classe, inteligente, independente mas doce e discreta - e acima de tudo sensata, com o equilíbrio emocional que um homem deseja numa companheira para a vida.

Há muitas coisas na vida que uma mulher não controla, mas a sua atitude não é uma delas. Abrir mão do seu poder, tornando-se um brinquedo, ou ser respeitada e admirada é algo que depende unicamente das escolhas que se fazem, da conduta que se escolhe. Está na mão de cada uma ser uma Teodora ou uma Glinda e fazer da sua vida sentimental um encanto ou um bruxedo...








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